O que mudar em nós, se a vida escapa?
Que gesto resta, puro, em cada intento,
sem nos perdermos na ilusão que tapa a
essência que inventamos com o vento?
Somos apenas brisas, toques breves,
na pele que se entrega ao sol ausente.
Sem dia, sem saudade — almas leves,
sem o desejo indigesto e persistente.
E quando a ideia surge como espelho
da vida que tomamos como herança,
já é miragem, sonho e devaneio...
Mas há amor maior — luz que nos
alcança. E se de tudo somos breve
ensaio, é esse amor que sustenta a esperança.
Autor: Iares Sombra