Quando foi que a vida,
silenciosa e cautelosa,
prendeu seu pranto em solos
que jamais pôde tocar?
Quando foi que deixou de vagar
por sonhos há muito nutridos,
como raízes que crescem em vão
na esperança de florescer?
Quantos dias resistimos,
de pé, na promessa do amanhã,
carregando em nossos ombros
o peso das aspirações
que nunca se concretizam,
mas que ainda assim nos mantêm vivos,
nos impulsionam,como o vento que
empurra as velas sem nunca ser visto?
E que força é essa que nos prende,
feito âncora em águas turvas,
nos mantendo firmes
ante o que nos transforma
e nos obriga a enfrentar
as sombras de um sonho,
não perdido,mas ainda ingênuo e
sem estrutura,como uma árvore que cresce
sem preparo para a tempestade,
sem o corpo moldado
para as duras adversidades.
Ainda assim, caminhamos,
seguimos em frente,
com passos que ecoam silenciosos,
rumo a um destino que nos chama
de longe,como um horizonte que parece
sempre fora de alcance.
Autor: Iáres Souzà