O tempo, esse artista invisível, faz uma pausa breve, permitindo que o mundo respire o frescor de uma nova manhã. As ruas, essas artérias da cidade, parecem mais silenciosas, talvez refletindo nossas próprias mudanças internas. Somos, afinal, seres em constante transformação; o que foi ontem já se desfez, e o que será amanhã ainda está por vir. O café da manhã, com sua familiaridade acolhedora, ganha contornos singulares a cada amanhecer. Nunca será o mesmo de hoje, assim como nós, passageiros de momentos efêmeros, também nunca seremos os mesmos.
Ao despertar, encontro prazer em observar o movimento das árvores, cujas copas dançam ao ritmo do vento, como guiadas por uma orquestra invisível. Meu olhar se perde nesse balé silencioso, e reflito sobre o tempo que, ao sabor de novembro, traz consigo a promessa de frio. Aqui, onde o sol nordestino ainda predomina, essas nuances do clima parecem distantes, mas em algum lugar ao sul, o ar já começa a refrescar as almas.
Com a chegada do Natal, o ar se enche de expectativa, uma mistura de afeto e generosidade. As pessoas parecem mais inclinadas a estender a mão, a lembrar-se daquelas que têm menos. Mesmo que muitas caridades sejam pontuais, há um valor real nesses gestos de compaixão. E enquanto os dias avançam, a solidariedade floresce, ainda que às vezes restrita a esta época.
Continuamos nossa jornada, cada um trilhando seu caminho único, sem saber ao certo se estamos na direção certa, mas com o desejo de explorar novas rotas. Somos viajantes neste vasto mundo, cada passo um verso de uma história maior. E neste caminhar, compartilho um abraço, desejando a todos um feliz novembro, repleto de momentos singulares, que o tempo guardará na memória.
Autor: Iáres Souzà
Mais um poema espetacular…
Parabéns ao poeta que esculpe tão bem com suas palavras momentos únicos em nossas vidas !!!