Respirar,
e no ar que preenche os pulmões,
um vislumbre da existência.
Não somos inteiros, somos pedaços,
fragmentos soltos que se unem
na breve ilusão de sermos completos.
Visualizar,
além do visível e do palpável,
onde o olhar não alcança.
É ali que o universo nos esconde,
nos revelando aos poucos,
como páginas viradas ao acaso.
Sentir a vida pulsar
é ouvir o coração narrar
histórias que ainda não vivemos.
O tempo não nos pertence,
mas nós pertencemos a ele,
dançando em sua implacável cadência.
Acreditar
é um ato de coragem,
pois acreditar é saltar no vazio.
Somos mais que corpos,
somos ideias e memórias,
sombras do que poderíamos ser.
Fragmentos,
não como ruínas do que fomos,
mas como sementes do que virá.
Cada parte carrega o todo,
um reflexo distorcido
da eternidade que nos habita.
Integrantes
de algo maior que nós mesmos,
desenhados por mãos invisíveis.
Não há centro,
apenas um movimento incessante
que nos mantém ligados.
Um vasto universo,
não de estrelas e galáxias,
mas de presenças,
de vidas entrelaçadas
por fios que só o silêncio
é capaz de tecer.
Pessoas
são mais que encontros casuais.
Somos espelhos,
e cada reflexo nos devolve
uma verdade que negamos
ou tememos encarar.
Passaram,
passam, passarão.
Cada uma deixa um traço,
uma cicatriz ou um sorriso.
Ser humano é ser passageiro
num trem que nunca descarrila.
A experiência de ser
é um enigma indizível,
uma linha que se desenrola
sem começo ou fim claros.
Vivemos sem saber ao certo
o que significa estar vivos.
Nós mesmos,
quem somos além do agora?
Um eco de vozes ancestrais,
uma promessa sussurrada ao vento.
Não há respostas definitivas,
apenas a busca.
E assim seguimos,
respirando, visualizando, sentindo,
cada instante uma descoberta.
Somos fragmentos,
e, mesmo na incompletude,
carregamos o infinito.
Autor: Iáres Souzà