Muitas coisas não compreendo,
não por falta de saber;
mas porque o óbvio cega;
e fingimos não entender.
Vejo o mundo ao avesso,
cada erro tão claro e insistente,
como um espelho embaçado
onde o certo vira ausente.
E as pessoas seguem em frente,
repetem o que dói e machuca,
talvez por medo do novo,
talvez porque a verdade assusta.
O que esperamos de nós?
Aceitamos porque queremos?
O certo está nos detalhes,
ou são as falhas que defendemos?
Se a repetição nos orna,
se o erro torna-se aceito,
será que o certo desbota
quando o errado se faz perfeito?
Entre o certo e o errado,
uma linha tênue, confusa,
na dúvida, qual verdade?
Ou somos nós que a iludimos?
Autor: Iáres Souzà