O silêncio da noite é um paradoxo,
um eco de mundos que vivem em nós,
não é ausência, mas gritos abafados,
reflexo de sonhos e medos calados.
Zuadento, você diz, com toda razão,
pois nele ressoa a nossa confusão,
são ecos das dores que o dia ocultou,
nos cantos da alma que o tempo apagou.
Escutamos, enfim, o que não quer calar,
as vozes que tentam nos desorientar,
como sombras que dançam no fundo do ser,
são ruídos que nascem do nosso viver.
A desarmonia do nosso interior
se revela em tons que desnudam a dor,
como notas dispersas em um velho piano,
contam histórias que ocultamos em engano.
Se fôssemos livres de tantos dilemas,
de feridas abertas, de internos problemas,
talvez o silêncio fosse mesmo paz,
e não este caos que jamais se desfaz.
Somos gritadores no palco da mente,
clamando por algo que está tão ausente,
ajuda, talvez, para nos entender,
ou uma mão firme que ajude a crescer.
Na escuridão, a verdade nos chama,
mostrando o que somos, o que a alma reclama,
e, embora pesado, há beleza em ver
que até na bagunça há o que aprender.
Quem dera o silêncio fosse um abrigo,
um colo seguro, um terno amigo,
mas é apenas o espelho sonoro,
do que carregamos, do que não decoro.
E assim, cada noite, ao céu me entrego,
na busca por algo maior que o ego,
que aquiete a zuada que insiste em gritar,
que traga a harmonia do verbo amar.
Se as estrelas pudessem me traduzir,
talvez esse caos pudesse sumir,
mas resta-me o brilho, a noite, o sentir,
e o sonho de um dia poder evoluir.
O silêncio da noite é a nossa canção,
de notas confusas, um vasto refrão,
e nele seguimos, buscando razão,
nas vozes internas da nossa ilusão.
Autor: Iáres Souzà