Às vezes, acordo com a impressão de que sou o capitão de um barco que navega em águas tranquilas. Vejo o horizonte e penso: “Tudo está sob controle.” Mas basta um vento súbito, uma onda inesperada, e lá estou eu, perdido na vastidão do oceano, percebendo o quanto essa ideia de controle é uma ilusão. A verdade é que a vida não é feita para ser controlada. Ela é um fluxo constante de encontros, desencontros e movimentos, muitos deles misteriosos e, por vezes, desconcertantes.
Nas minhas reflexões, uma ideia tem me fascinado: a de que tudo o que acontece em nossas vidas é, de algum modo, atraído por nós. Não por acaso, nem por sorte ou azar. Cada pessoa que cruza nosso caminho, cada situação que nos toma de assalto, boa ou ruim, é parte de uma trama que nós mesmos ajudamos a tecer, mesmo sem perceber.
Você já pensou nisso? Aquela pessoa que surge do nada, numa manhã qualquer, com um sorriso ou uma palavra que muda o seu dia. Ou, talvez, aquela dificuldade que parecia impossível de vencer, mas que, ao final, revelou uma força que você nem sabia que possuía. Não são eventos soltos no universo. Eles têm uma origem, uma razão. E, surpreendentemente, essa origem somos nós.
Sim, nós somos os autores – e, às vezes, os vilões – das histórias que vivemos. A grande questão é que fazemos isso de forma tão sutil, tão inconsciente, que nem nos damos conta. É como se estivéssemos escrevendo um livro no escuro, traçando palavras e frases com uma tinta invisível que só se revela muito depois, quando os acontecimentos já estão diante de nós.
Mas aí surge a pergunta que não me deixa em paz: o que eu estou atraindo para a minha vida? Que tipo de energia eu estou semeando por aí, sem sequer perceber?
A resposta, confesso, nem sempre é confortável. Percebo que as situações conflitantes que enfrento – aquelas que me tiram o sono, que me fazem questionar minhas escolhas – têm, em sua raiz, algo que eu plantei. Talvez uma palavra não dita, uma atitude precipitada, ou até mesmo uma omissão. Por outro lado, os momentos de alegria e de conquistas também têm as minhas digitais. Uma escolha certa, uma intenção genuína, um pensamento que ecoou no universo e voltou para mim em forma de graça.
Tudo é energia, dizem os sábios. E eu acredito. Antes de se tornar concreto, o que vivemos já existe num plano mais sutil. É um desejo, um pensamento, uma emoção que vai ganhando forma até se materializar. E isso me faz pensar: que tipo de energia eu quero para a minha vida? Que vibração eu estou emitindo ao mundo?
Nos últimos anos, essas perguntas têm se tornado um guia. Não é fácil ajustar o que se pensa, o que se sente. Mas é um exercício necessário. Porque, no fim das contas, a vida não é um mar revolto fora do nosso controle. Ela é um espelho que reflete tudo o que somos, tudo o que criamos.
Então, da próxima vez que algo inesperado acontecer, pare por um momento. Olhe para dentro. Pergunte-se: o que eu atraí hoje? Talvez a resposta te surpreenda – ou te inspire. E, com sorte, te leve a navegar por águas mais serenas.
Autor: Iáres Souzà